O setor da construção civil começou 2026 com sinais mistos. Após um longo período em que os custos de mão de obra pressionavam o INCC-M acima da inflação cheia, a leitura de abril indicou uma mudança relevante: os materiais de construção passaram a liderar a alta dos custos.
Os custos de mão de obra seguem elevados, acumulando alta de 8,71% em 12 meses, acima da média dos últimos cinco anos. Ainda assim, houve desaceleração nas comparações mensal e anual, com recuos de 0,33 ponto percentual frente ao mês anterior e de 0,71 ponto percentual na comparação anual.
Já os materiais de construção subiram 1,35% apenas em abril e acumulam alta de 4,56% em 12 meses. O movimento reflete os impactos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio sobre a cadeia produtiva global.
Apesar da pressão inflacionária, ainda não há consenso sobre efeitos estruturais mais duradouros na atividade do setor. Indicadores recentes mostram um ambiente de maior cautela entre empresários e investidores.
Confiança da construção perde força
O Índice de Confiança da Construção recuou em abril tanto na série dessazonalizada quanto na leitura sem ajustes. Ao mesmo tempo, levantamento trimestral da CNI apontou avanço das preocupações relacionadas à matéria-prima.
O tema saltou da 13ª para a 6ª posição entre os principais problemas da indústria da construção entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Mesmo assim, mão de obra e carga tributária continuam liderando as preocupações do setor.
Outro fator que ganhou relevância foi a taxa de juros, que passou a ocupar a primeira posição entre os principais desafios do segmento. O movimento acompanha a percepção de um ritmo mais lento de afrouxamento monetário no país.
Para incorporadoras e investidores, o cenário reforça a necessidade de maior atenção ao custo de capital, ao planejamento financeiro e à previsibilidade dos insumos da construção.
Mercado imobiliário segue aquecido
Mesmo com juros elevados e aumento dos custos, o setor mantém desempenho resiliente. A construção civil ampliou sua participação na geração de empregos formais no Brasil e segue sustentada pelo forte ritmo de lançamentos e vendas.
O programa Minha Casa Minha Vida continua impulsionando a demanda por imóveis residenciais, especialmente após atualizações recentes nas condições de financiamento.
No segmento de médio e alto padrão, incorporadoras reduziram o ritmo de lançamentos diante da expectativa de demanda mais moderada. Ainda assim, as vendas seguem acima da reposição desde o início de 2023, levando os estoques aos menores níveis dos últimos cinco anos.
Os dados indicam que a demanda por imóveis voltados à renda média e alta permanece mais forte do que o mercado projetava anteriormente.
Crédito e financiamento apresentam sinais divergentes
A poupança registrou a primeira captação líquida mensal de 2026. Apesar disso, os financiamentos imobiliários com recursos da modalidade continuam em queda.
Em contrapartida, a arrecadação do FGTS renovou recorde no período, fortalecendo uma das principais fontes de recursos do setor habitacional.
As taxas médias de juros para crédito imobiliário também avançaram na leitura de março, o que pode limitar parte da demanda nos próximos meses, principalmente entre compradores mais sensíveis ao custo do financiamento.
Indicadores do setor
O INCC-M acelerou para 6,28% em 12 meses. Diferentemente do padrão recente, o avanço foi puxado principalmente pelos materiais de construção, que atingiram o maior acumulado anual desde setembro de 2025.
No mercado financeiro, o principal índice imobiliário da Bolsa recuou 3,8% em abril, ampliando a queda observada em março. Já o Ibovespa encerrou o período próximo da estabilidade, com baixa de 0,1%.
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Informações retiradas de Felipe Mesquita de InvestTalk

