Enquanto a capital paulista enfrenta dificuldades para ampliar a oferta de imóveis de médio e alto padrão devido à escassez de terrenos e aos juros elevados, cidades do interior de São Paulo vivem um momento de expansão no mercado imobiliário.
Dados do Secovi-SP, em parceria com a consultoria Brain, mostram que os lançamentos de imóveis de médio e alto padrão cresceram 39% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando cerca de 7,1 mil unidades. As vendas também registraram avanço expressivo, com alta de 25% e movimentação de aproximadamente R$ 7,3 bilhões.
Segundo especialistas do setor, um dos principais fatores por trás desse crescimento é o menor custo dos terrenos no interior paulista. Com áreas mais acessíveis, as incorporadoras conseguem desenvolver empreendimentos maiores, com infraestrutura mais completa, ampla oferta de lazer e localização privilegiada.
Além disso, o potencial de valorização dos imóveis tem atraído tanto empresas quanto compradores. Mesmo em um cenário de crédito mais restrito para a classe média, o segmento continua demonstrando força, com imóveis sendo comercializados a valores que chegam a R$ 15 mil ou R$ 20 mil por metro quadrado em algumas cidades.
O levantamento analisou 42 municípios do interior paulista, que juntos concentram cerca de 16,4 milhões de habitantes, o equivalente a aproximadamente 35% da população do estado. A expectativa é que a demanda permaneça aquecida ao longo dos próximos trimestres, impulsionada principalmente pelas famílias de renda mais elevada. Mais da metade dos entrevistados com renda mensal superior a R$ 20 mil afirmou ter intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses.
Empresas que atuam na região já percebem os efeitos desse movimento. A LLI, braço da Lopes voltado ao interior, registrou crescimento de 120% nas vendas de imóveis de médio e alto padrão no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Para a companhia, a expansão dos lançamentos e a formação de parcerias entre incorporadoras da capital e empresas regionais têm contribuído para fortalecer a oferta nesses segmentos.
Outro diferencial apontado pelo mercado é a relação entre preço e espaço. Enquanto na cidade de São Paulo um apartamento de aproximadamente 100 metros quadrados pode custar cerca de R$ 1,5 milhão, no interior é possível adquirir imóveis com o dobro da metragem por valores semelhantes. Essa diferença tem atraído compradores em busca de mais conforto, segurança e qualidade de vida.
O aquecimento do setor também tem estimulado a verticalização das cidades do interior. Embora os condomínios horizontais ainda sejam predominantes em muitas regiões, empreendimentos verticais de alto padrão vêm ganhando espaço, especialmente em municípios como Campinas, onde a procura por imóveis com serviços diferenciados, alto nível de acabamento e segurança tem crescido de forma consistente.
Apesar do cenário positivo, parte dos empresários mantém cautela em relação ao ambiente político e econômico. Alguns incorporadores optaram por adiar lançamentos para 2027, aguardando maior definição sobre o cenário nacional. Ainda assim, a expectativa do setor é de continuidade no crescimento do mercado imobiliário do interior paulista nos próximos anos.
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Informações retiradas de Wesley Gonsalves ao Metro Quadrado

