O mercado imobiliário de Maceió movimentou R$ 3,4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) nos 12 meses encerrados em março de 2026. Embora o resultado represente uma queda de 6% em relação ao período anterior, o setor continua demonstrando força, com aumento das vendas e redução do estoque disponível.
Os dados foram apresentados por Fábio Tadeu, sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, durante o Panorama de Mercado, promovido pelo Sinduscon-AL.
A avaliação é que a demanda segue aquecida, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, pressão sobre a renda das famílias e aumento do custo dos imóveis.
Nos últimos 12 meses, Maceió registrou a venda de 5.683 apartamentos, alta de 3% em comparação ao período encerrado em março de 2025. Na Região Metropolitana, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 15%, com 244 unidades comercializadas.
Ao mesmo tempo, o estoque de imóveis novos caiu 21%, chegando a 3.744 unidades no primeiro trimestre de 2026. O volume retorna a níveis próximos aos observados em 2022 e 2023, indicando absorção consistente da oferta e um mercado considerado saudável.
Vendas avançam, mas lançamentos recuam
Apesar do bom desempenho comercial, os lançamentos perderam força.
O Valor Geral Lançado (VGL) em Maceió somou R$ 2,835 bilhões nos últimos 12 meses até março de 2026, queda de 20% em relação ao período anterior. Na Região Metropolitana, a retração foi de 67%, com VGL de R$ 171 milhões.
Em volume de unidades, os lançamentos passaram de 5.100 para 4.694 apartamentos, uma redução de 8%. O resultado sucede uma queda anterior de 11%, após um ciclo de forte expansão do mercado local.
Para incorporadores, o cenário sinaliza maior dificuldade na viabilização de novos empreendimentos, especialmente nos segmentos voltados à classe média. Ainda assim, o ritmo de vendas mostra que a demanda permanece ativa.
O médio padrão liderou os lançamentos, concentrando 50,2% do VGL vertical de Maceió e Região Metropolitana. O Minha Casa Minha Vida respondeu por 17,3%, os compactos por 16,5% e o segmento de luxo por 16%.
Compactos perdem espaço na oferta
Os imóveis compactos, que chegaram a representar 42% dos lançamentos em ciclos anteriores, responderam por apenas 17% da oferta lançada em 2026.
A redução ocorre após anos de forte crescimento impulsionado pelo turismo, pela demanda de investidores e por incentivos urbanísticos.
Nas vendas, porém, o segmento continua relevante. Os compactos representaram 30% das unidades comercializadas em 2026 e 26% no ano anterior, indicando que o estoque continua sendo absorvido pelo mercado.
Para investidores, o dado sugere que ainda existe demanda por imóveis voltados à locação, segunda moradia e exploração turística, embora o ritmo de novos lançamentos tenha diminuído.
Jovens continuam querendo comprar imóveis
No cenário nacional, a intenção de compra permanece elevada. Segundo a Brain, quase metade da população adulta brasileira deseja adquirir um imóvel.
Entre os mais jovens, esse percentual é ainda maior. A intenção de compra alcança cerca de 60% da geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, e supera 55% na geração Y, entre 29 e 44 anos.
Segundo Fábio Tadeu, a dificuldade está na capacidade financeira e não na falta de interesse.
“Quanto mais jovem, mais ele quer comprar imóvel. Ele pode não conseguir comprar eventualmente, porque tem menos poupança, mas ele deseja muito. São coisas diferentes, não conseguir e não querer. Ele quer”, afirmou.
Apesar do interesse elevado, a conversão em compras efetivas enfrenta obstáculos. O percentual de famílias que visitam imóveis presencialmente caiu de 6% para 4%, refletindo o impacto dos preços, das taxas de juros e das condições de financiamento.
Busca por aluguel cresce
A pressão financeira também tem impulsionado o mercado de locação.
Segundo a Brain, a procura por aluguel passou de um patamar entre 16% e 17% das famílias no início de 2024 para aproximadamente 20% em 2025.
Entre os integrantes da geração Z, a busca por imóveis para locação já alcança cerca de um terço do público.
A preferência está relacionada à dificuldade de financiamento e à busca por melhor localização. Muitos jovens optam por alugar imóveis em regiões mais centrais em vez de comprar unidades mais distantes.
“Ele tem duas opções claras, ou comprar um imóvel mais afastado, que caiba no bolso, ou morar mais bem localizado de locação. E o jovem de classe média ou alta, em geral, não consegue conceber morar longe. Ele faz a opção de morar de locação perto de tudo, em vez de comprar longe de tudo”, analisou Tadeu.
Segundo ele, o avanço da locação não representa uma mudança de preferência, mas uma adaptação às restrições econômicas atuais.
Para Alfredo Breda, vice-presidente do Sinduscon Alagoas e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os dados ajudam o setor a desenvolver produtos mais alinhados às necessidades do mercado.
“Esse levantamento dá um direcionamento para nós construtores aplicarmos em nossos lançamentos e assim termos resultados melhores no futuro. Nosso mercado está cada dia mais forte, o que ficou claro no que foi apresentado hoje, com um crescimento contínuo”, completou.
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Informações retiradas de Vanessa Siqueira ao Movimento Econômico

